Bem vindos!!!

Sejam bem vindos ao blog "Mediador de Leitura"!


Este blog foi criado com o intuido de postar arquivos relacionados ao curso Mediadores de Leitura, oferecido pela UFRGS.



Esperamos poder ajudá-los...


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Prática Leitora Multimidial

Público alvo: Séries finais do ensino fundamental.

Objetivo da prática:

-discutir com a turma sobre os meios de comunicação utilizados entre eles;

-refletir sobre a evolução da comunicação e a influência destes em nosso cotidiano;


Materiais e recursos:

- leitura do texto A vida pelo telefone, de Walcyr Carrasco- In: Veja São Paulo, Abril, 19 abr. 2000

- assistir ao vídeo A Evolução da Comunicação Humana – YouTube.


Etapas propostas:

1º: Entrega do texto A vida pelo telefone, de Walcyr Carrasco, pelo professor. Leitura silenciosa e oral pelos alunos.

A vida pelo telefone
Como salvar em ligações simultâneas a namorada e o emprego

Walcyr Carrasco

            Durante meses, eu e um amigo nos falamos por telefone. Sempre reclamávamos da escassez de encontros pessoais.
            - Precisamos nos ver! – ele dizia.
            - Vou arrumar um tempinho! – eu prometia.
            Posso ser antiquado, mas acredito que nada substitui o olho no olho. A expressão, o jeito de falar, a gargalhada espontânea, tudo isso dá nova dimensão ao relacionamento. Cumpri minha promessa e fui a seu apartamento. Nos primeiros dez minutos, falamos da vida como não fazíamos havia bastante tempo. Em seguida, tocou o telefone.
            - Um momento.
            Iniciou-se uma longa discussão sobre quem compraria os ingressos para o espetáculo. Já estava desligando quando se ouviu o celular. Pediu licença no telefone e atendeu. Era alguém discutindo um problema profissional. Depois de duas respostas, meu amigo disse que, como o assunto era complicado, ia terminar um telefonema e ligaria em seguida. Falou rapidamente com a primeira pessoa, desligou e voltou ao celular. Foi a vez do bip, que tocou insistentemente. Pediu desculpas, foi ver a mensagem. Recado urgente para chamar determinada pessoa. Novamente, trocou mais algumas frases ao celular. Desligou. Pediu-me novas desculpas. Ligou para quem o havia bipado. Mais questões de trabalho. Quando anotava alguns detalhes, a linha, digital, anunciou que mais alguém estava querendo ligar. Pediu licença e atendeu a outra linha. Olhou para mim e murmurou desculpas. Combinou rapidamente os detalhes de uma festa-surpresa no fim de semana. Foi fazer um café, com o sem-fio acoplado à orelha. Volta ao celular. Ele tenta botar o pó no coador, com um aparelho em cada orelha e falando nos dois ao mesmo tempo.
            - Não, querida, eu tentei ligar para saber se você queria is ao espetáculo com a gente! Mas só deu ocupado... O quê? Não, senhor, não estou falando com o senhor, chefe, puxa vida... Claro que o senhor levou um susto... Eu falando assim, querida... Há, há, há... Pois é, meu amor... Meu amor é ela, chefe... Eu quero que você vá, sim, ao show... Eu dou um jeito... Sim, dou um jeito de terminar o relatório até segunda, chefe... Ah, o senhor também quer ir ao show? Bem, eu posso ver se consigo mais entradas e... Ah, certo... Meu bem, não fique nervosa, não vou trabalhar no fim de semana, é só um relatório, mas é claro, chefe, vou fazer o relatório o melhor que puder... Oh, meu Deus!
             Corri para ajudar com o café, enquanto ele tentava salvar o emprego e a namorada ao mesmo tempo. Quase engoliu o celular. Quando terminou, sentou-se exausto. Nesse segundo, alguém ligou e ele lamentou-se longamente:
            - Imagine que ela me pressionou justamente quando eu estava falando com meu chefe ao telefone, e ele ouviu tudo e pelo jeito que respondeu eu...
            Olhei meu talão de cheques e disquei para verificar o saldo. Aproveitei para falar com dois amigos. Quando terminava, ele sentou-se na minha frente, pálido, mas calmo, com a bandeja e as xícaras. Em dois rápidos chamados, havia se justificado com ela e se desculpado com ele. Mal pôde perguntar se eu queria açúcar ou adoçante. Entrou um fax.
            - Deixa eu ver o que é, pode ser importante.
            - Terminou de ler e alguém ligou para saber se tinha recebido. Em seguida, ligou para confirmar alguma coisa que fora escrita na mensagem. Não pôde terminar porque o celular gritou novamente. Meu estômago roncou de fome. Levantei-me. Ele fez sinal para que eu me sentasse.
            - Já estou terminando. Só preciso mandar um bip.
            Observei o relógio demoradamente. Aproveitei o intervalo entre o bip e um novo telefonema para dizer, bem depressa:
            - Preciso ir. Depois eu ligo.
            Sorriu satisfeito.        
- Então me chame depois. Mas não esqueça, hein?
- Mando um e-mail e você me responde. Assim o papo fica melhor.
Gostou da idéia, sem perceber a ironia. Pediu mais um minutinho no telefone, dizendo que ia me levar até a porta e já voltava. Comentou, já tranqüilo:
- Nossa, como a gente tem coisas para falar. Você ficou mais de duas horas aqui e nem botamos tudo em dia.
Repuxei os lábios, educadamente. Certas pessoas estão tão grudadas aos telefones, celulares, bips e e-mails. Inventou-se de tudo para facilitar a comunicação. Às vezes acredito que, justamente por causa disso, ela anda se tornando cada vez mais difícil.

CARRASCO, Walcyr. A vida pelo telefone. In: Veja São Paulo, Abril, 19 abr. 2000.


2º: Questões de interpretação de texto, como as abaixo:

- Qual era a necessidade inicial dos dois amigos?
- O que foi feito para atender a essa necessidade?
- Passados dez minutos do encontro, os amigos não conseguiram mais se comunicar como queriam, porque houve uma série de interrupções. Faça uma relação dos aparelhos de comunicação que acabaram impedindo a comunicação pessoal entre os amigos.
- O amigo do narrador conseguia usar mais de um aparelho ao mesmo tempo sem problema de comunicação? Explique.
- Depois de comprovar que seria impossível realizar o objetivo do encontro, um bate-papo entre amigos, qual foi a solução sugerida pelo visitante?
- Releia:
“... inventou-se de tudo para facilitar a comunicação. Às vezes acredito que, justamente por causa disso, ela anda se tornando cada vez mais difícil.”
- Qual a sua opinião a respeito dessa afirmação? Você concorda ou discorda? Escreva um texto explicando a sua resposta.


3º: Visualização do vídeo: Evolução da Comunicação Humana – YouTube





4º: Comentários sobre o vídeo.

5º: Em duplas, os alunos deverão escolher entre uma das atividades trabalhadas, o texto ou o vídeo e elaborarem um texto sobre a influência dos meios de comunicação no cotidiano do ser humano;

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sugestão de Atividade

Para esta atividade será necessária a apresentação de dois textos:

Texto 1 - João e o Pé de Feijão


JOÃO E O PÉ DE FEIJÃO


Uma pobre viúva tinha um único filho, que era muito rebelde e gastava todo o seu dinheiro. Não tendo mais recursos para nada, João convenceu a mãe de vender a única vaca que ainda tinham. Após muito resistir, ela aceitou. No caminho para vender o animal, encontrou um homem que lhe propôs trocá-lo por alguns grãos de feijão mágicos. João aceitou a oferta e voltou para casa feliz. Quando sua mãe soube da troca ficou enfurecida, jogou os grãos pela janela e chorou muito. Como não tinham nada para comer, foram dormir com fome. No dia seguinte, João encontrou um pé de feijão com hastes grossas e entrelaçadas, tão altas que alcançavam a nuvens. Então, o menino resolveu subir pela árvore que crescera. Levou algumas horas subindo, até que chegou a um lugar estranho, onde encontrou uma fada que contou ao menino que por causa de um amigo falso que seu pai tivera no passado, a família de João perdera todo o dinheiro que tinham. A fada contou, ainda, que não podia ajudar antes porque havia perdido seus poderes temporariamente, mas agora os recuperara e fez com que João trocasse a vaca pelos grãos para ajudá-lo, pois o homem que roubara seu pai era um gigante que vivia naquele lugar. A fada orientou João a seguir pela estrada que dava no castelo do gigante, afirmando que tudo o que João encontrasse por lá seria, por direito, seu e de sua mãe. Ao chegar à casa do gigante, foi atendido pela sua mulher, a quem pediu alimento e pousada. Ela o levou para um quarto, servindo-lhe comida e bebida. De repente, ouviram a voz do gigante, que fez a casa estremecer, pedindo a sua comida. João sugeriu a mulher que o escondesse no forno e ela assim o fez. João, espiando por uma fresta do forno, ficou horrorizado com a quantidade de comida consumida pelo gigante. Após comer, ele pediu à mulher que trouxesse a galinha e João a viu botar um ovo de ouro. Após se divertir com a galinha, o gigante pegou no sono e o menino aproveitou para fugir com a ave, descendo de volta pelo pé de feijão. Chegando em casa, ele mostrou a galinha à mãe e lhe contou a história, deixando a mulher muito feliz. Porém, depois de um tempo João resolveu voltar à casa do monstro, a fim de trazer mais riquezas. Disfarçou-se pintando o rosto e foi. Lá chegando, pediu ajuda da mulher novamente. Outra vez João pode observar o gigante por uma fresta e viu quando ele começou a contar suas sacas de moedas de ouro. Quando o gigante adormeceu, João fugiu com as moedas de ouro. Chegando a casa, o menino entregou o dinheiro à mãe e, durante três anos João viveu feliz com ela. Até que, disfarçando-se novamente, o menino partiu para novo encontro com o gigante que roubara seu pai. Chegando ao lar do gigante, João teve de insistir muito para que a mulher o ajudasse, mas, finalmente, conseguiu que ela o escondesse em um caldeirão. Então, espiando pela tampa, o menino viu a harpa mais incrível que se possa imaginar, pois a uma ordem do gigante ela começava tocar, sozinha, lindamente. Quando monstro pegou no sono, João apoderou-se da harpa e correu. Porém, a harpa era encantada e, assim que o menino a pegou ela começou a gritar, acordando o seu amo. O gigante acordou, levantou-se e viu João correndo. Correu atrás do garoto, mas havia comido muito e não conseguiu alcançá-lo. Quando João chegou ao chão, cortou a haste do feijão com um machado, bem na raiz. O gigante caiu de cabeça no jardim e morreu imediatamente. Nesse momento, apareceu a fada que explicou tudo à mãe de João e eles puderam assim continuar a cuidar da vida e da fazenda, nunca mais faltando dinheiro para comer.



Texto 2 - A VACA
 
do Livro: Que História é Essa?
Flávio de Souza
 
ATIVIDADES EM GRUPO:
Relação entre fala e escrita: discutir situações de ensino possíveis de serem realizadas nas séries/ anos iniciais.




Grupo 1: Atividade

a- Ler silenciosamente as história “João e o pé de feijão” e “A vaquinha”

b- Solicitar que um componente do grupo conte a história





Grupo 2: Atividade

a- Fazer leitura da história “A vaquinha”

b- Preparar uma entrevista com a vaquinha a respeito da atitude tomada por João – trocar a vaca por 3 caroços de feijão. A entrevista será preparada para ser divulgada em noticiário de TV.



- Apresentação da entrevista para o grande grupo



Grupo 3: Atividade

a- Ler silenciosamente as história “João e o pé de feijão” e “A vaquinha”

b- Pedir que o grupo prepare a defesa de “João” que será chamado para depoimento policial, uma vez que a Vaquinha o denunciou por abandono e maus tratos.

c- O grupo deve escolher quem será o promotor e quem será João para comparecerem ao tribunal.



Grupo 4: Atividade

a- Ler silenciosamente as história “João e o pé de feijão” e “A vaquinha”

b- Pedir que o grupo prepare a acusação encaminhada pela “Vaquinha” que será apresentada em Júri.

c- O grupo deve escolher quem será o advogado de acusação e quem será a Vaquinha para comparecerem ao tribunal.





Grupo 5: Atividade

a- Pedir que o grupo elabore uma paródia de uma música que tenha como tema a história de João e da Vaquinha.

b- Ensaie e apresente a música

sugestões de atividades apresentadas no encontro presencial

Atividades postadas por Carla, Joice, Patrícia e Angela

1 - Leitura Deleite: 
Defenestração de Luis Fernando Veríssimo
Do livro: Comédias para ser Ler na Escola

2 - Trabalhando com Hipóteses de Leitura

Título:O mistério do quarto escuro
 
Acordo atordoada, tonta, não me lembro de nada, me viro para lá, me viro para cá e não consigo sair daqui.
 
¡A porta está fechada. Por mais que eu tente, não consigo abrir. Aqui dentro está uma bagunça de roupas esparramadas, um mau cheiro. Está mal ventilado, sinto falta de ar.
 
Aqueles homens me prenderam sem motivo algum.
  Tento mais uma vez, não consigo abrir a porta, me trancaram, está escuro, não enxergo nem onde piso, esbarrando em tudo. Aqui, apesar de fazer muito frio, estou até corada de calor e aflição.
 
Este escuro me dá medo. Apesar de tudo, preferia estar lá fora.
 
Só consigo ver luz em uma brecha da porta. Pouca coisa posso ver do outro lado, não sei o que estão fazendo com as minhas amigas, ai, coitadas. Não sei se estão fazendo ou já fizeram. Ai! Não quero nem pensar.
 
Esse homens que me prenderam aqui dentro não têm coração, não nos respeitam, a nós, que somos tão inofensivas e indefesas.
 
Fico em silêncio e ouço vozes masculinas confusas do lado de fora. Acho que estão discutindo o que farão comigo. Essas cordas estão me machucando. Não gosto nem de pensar o que me vai acontecer. Acho que me prenderam por eu ser a mais gordinha.
 
Meu medo aumentou, ouço passos em minha direção, não posso me esconder, não consigo nem me movimentar.
 
 
¡Estão forçando a porta e têm a chave. Não sei o que fazer. Acho que chegou a minha vez, vieram me buscar, não posso mais escapar.
 
¡Abriram a porta. É um moreno e magro e comprido, de cabelo grande, feio que Deus me livre. Vem com as mãos em minha direção e me agarra com força em seus braços.
 
Me desamarra, joga as cordas e me leva fora num gesto brutal, me põe no chão para fechar novamente o local.
 
 
¡Tento correr, Mas não consigo ir longe. Ele me agarra outra vez com força. Tento me livrar dele, mas não consigo. Ele sorri, me leva para outro lugar. Vejo uma de minhas amigas, penso em pedir socorro, mas ela não pode me ajudar, pois está sendo vigiada por um careca ainda mais feio que o outro (o que o outro tem de cabelo, neste está em falta). Coitada! Será que o destino dela será o mesmo que o meu?
 
 
¡Até que ele pára comigo, mas não me coloca no chão (acho que de medo de eu fugir outra vez) e então é a hora, ele...
 
Me bate, bate,
 
 
¡Bate no chão. Entra comigo no garrafão, pula comigo e faz a primeira cesta do jogo!
 
Carmo R.E da Silva (14 anos)
IN:Folinha, Folha de São Paulo
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 16 de janeiro de 2011

Friendship

                                          Obra: Friendship (Amizade)

Amizade...

A amizade consegue ser tão complexa...
Faz-nos cometer erros e acertos...
Ela nasce dentro da gente,
guiada pelos valores, multicores.
A verdadeira amizade é leal à sua essência
Mais doce forma do amor.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Romero Britto

Romero Francisco da Silva Britto, nascido em Recife, no dia 06 de outubro de 1963, é pintor e escultor brasileiro.
Aos oito anos começou a mostrar interesse e talento pelas artes . Com muita imaginação e criatividade, pintava em sucatas, papelão
e jornal. Sua família o ajudava a desenvolver seu talento natural,dando-lhe livros de arte para estudar.
Aos 14 anos fez sua primeira exibição pública e vendeu seu primeiro quadro à Organização dos Estados Americanos
. Embora encorajado por este sucesso precoce, as circunstâncias modestas de sua vida o motivaram a estabelecer metas e a criar seu próprio futuro: "Na condição de criança pobre no Brasil, tive contato com o lado mais sombrio da humanidade. Como resultado, passei a pintar para trazer luz e cor para minha vida."
Frequentou escolas públicas, recebeu bolsa de estudos para uma escola preparatória e, aos 17 anos, entrou na Universidade Católica de Pernambuco
, no curso de Direito. Viajou para a Europa para visitar lugares novos e ver a arte que só conhecia nos livros.
Na maioria das obras de Romero Britto, ele usa textura gráfica e, geralmente, elas tratam de assuntos importantes para o dia-a-dia. Suas obras, na maioria das vezes, não são exatamente iguais à realidade, pois apresentam linhas, pontos, divisões e fragmentos de sua assinatura (em grande parte das obras).
Atualmente, Romero mora nos Estados Unidos da América
, e é casado com a estadunidense Sharon, com quem tem um filho.
Romero Britto é considerado um ícone da cultura pop moderna, sendo um dos mais premiados artistas de nosso tempo. O artista pop mais jovem e bem-sucedido de sua geração, Britto tem criado obras-primas que invocam o espírito de esperança e transmitem uma sensação de aconchego. Suas obras são chamadas, por colecionadores e admiradores, de “arte da cura”. Sua arte contém cores vibrantes e composições ousadas, criando graciosos temas com elementos compostos do cubismo. Admirado pela comunidade internacional, Romero tem suas pinturas e esculturas presentes nos cinco continentes e em mais de 100 galerias no mundo.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A Cartomante segundo Joice, Patrícia, Ângela e Carla

Numa escaldante tarde de novembro, Mariquinha encontra Adão, no bolicho do Seu Barnabé, lá pras bandas do Alegrete.
- Mas que barbaridade!! Não acredito que tu foi numa coisa destas! Uma cartomante, tchê!!
- Depois que tu deixaste de frequentar a nossa casa fiquei mais medrosa que cascudo atravessando o galinheiro com receio de não me quereres mais.
- Deixa de bobagem minha prenda, tu sabes que te quero bem.
Após a saída de Mariquinha, Adão se pegou matutando o começo desse enrosco com a mulher do seu cumpadre Genaro.
Como estava mais perdido que cachorro em dia de mudança com o falecimento de sua querida mãe, Genaro tratou de cuidar do enterro enquanto Mariquinha tratava seu despedaçado coração.
Com o passar do tempo, os encontros entre Mariquinha e Adão tornaram-se mais frequentes. Até o dia em que Adão recebe um bilhete anômio chamando-o de desavergonhado, que seus furdunços eram sabidos em todos os rincões. Passou então a encurtar as visitas à amada.
Um dia no más, recebeu mais um bilhete de Genaro que dizia: "Vem já, já a minha querência."
Passado o susto, Adão pegou o pingo e saiu a trote. Teve de parar no caminho devido a um boi morto no meio da estrada. Ao olhar para o lado viu a estância da cartomante consultada por sua prenda Mariquinha.
A cartomante por sua vez, acalma o pobre gaúcho dizendo-lhe que nada de ruim lhe sussederá.
Adão pega o rumo do rancho de Genaro, faceiro como guri de bombacha nova. Ao chegar lá, encontra Mariquinha esfaqueada e Genaro com um facão na mão. Começou então uma peleia entre os dois cumpadres. Adão porém, leva a pior e acaba ensanguentado no chão.

Intertextualidade:
A palavra intertextualidade significa interação entre textos, um diálogo entre eles. E texto no sentido amplo: um conjunto de signos organizados para transmitir uma mensagem, portanto, no mundo atual da multimídia, ela acontece entre textos de signos diferentes.
Veja um exemplo de intertextualidade :

Para que mentir?
Para que mentir
tu ainda não tens
Esse dom de saber iludir?
Pra quê? Pra que mentir,
Se não há necessidade
De me trair?
Pra que mentir
Se tu ainda não tens
A malícia de toda mulher?
Pra que mentir, se eu sei
Que gostas de outro
Que te diz que não te quer?P
ra que mentir tanto assim
Se tu sabes que eu sei
Que tu não gostas de mim?
Se tu sabes que eu te quero
Apesar de ser traído
Pelo teu ódio sincero
Ou por teu amor fingido?
(Vadico e Noel Rosa, 1934)
Dom de Iludir
Não me venha falar na malícia
de toda mulher
Cada um sabe a dor e a delícia
de ser o que é.
Não me olhe como se a polícia
andasse atrás de mim.
Cale a boca, e não cale na boca
notícia ruim.
Você sabe explicar
Você sabe entender, tudo bem.
Você está, você é, você faz.
Você quer, você tem.
Você diz a verdade, a verdade
é seu dom de iludir.
Como pode querer que a mulher
vá viver sem mentir.
(Caetano Veloso, 1982)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Intertextualidade

A intertextualidade pode ser definida como sendo um "diálogo" entre textos. Esse diálogo pressupõe um universo cultural muito amplo e complexo, pois implica a identificação e o reconhecimento de remissões a obras ou a trechos mais ou menos conhecidos. Dependendo da situação, a intertextualidade tem funções diferentes que dependem dos textos/contextos em que ela é inserida, como foi abordado no trabalho realizado pelas alunas.
Evidentemente, o fenômeno da intertextualidade está ligado ao "conhecimento do mundo", que deve ser compartilhado, ou seja, comum ao produtor e ao receptor de textos. O diálogo pode ocorrer em diversas áreas do conhecimento, não se restringindo única e exclusivamente a textos literários.

Musicalidade

Olá pessoal, que tal sentir-se dançando uma valsa ao ler o poema abaixo escrito por Casimiro de Abreu!? Relaxe e entre no ritmo...

 

 

A VALSA

 

Tu, ontem,

Na dança

Que cansa,

Voavas

Co'as faces

Em rosas

Formosas

De vivo,

Lascivo

Carmim;

Na valsa

Tão falsa,

Corrias,

Fugias,

Ardente,

Contente,

Tranqüila,

Serena,

Sem pena

De mim!

 

Quem dera

Que sintas

As dores

De amores

Que louco

Senti!

Quem dera

Que sintas!...

— Não negues,

Não mintas...

— Eu vi!...

 

Valsavas:

— Teus belos

Cabelos,

Já soltos,

Revoltos,                                                                                           

Saltavam,

Voavam,

Brincavam

No colo

Que é meu;

E os olhos

Escuros

Tão puros,

Os olhos

Perjuros

Volvias,

Tremias,

Sorrias,

P'ra outro

Não eu!

 

Quem dera

Que sintas

As dores

De amores

Que louco

Senti!

Quem dera

Que sintas!...

— Não negues,

Não mintas...

— Eu vi!...

 

Meu Deus!

Eras bela

Donzela,

Valsando,

Sorrindo,

Fugindo,

Qual silfo

Risonho

Que em sonho

Nos vem!

Mas esse

Sorriso

Tão liso

Que tinhas

Nos lábios

De rosa,

Formosa,

Tu davas,

Mandavas

A quem ?!

 

Quem dera

Que sintas

As dores

De amores

Que louco

Senti!

Quem dera

Que sintas!...

— Não negues,

Não mintas,..

— Eu vi!...

 

Calado,

Sozinho,

Mesquinho,

Em zelos

Ardendo,

Eu vi-te

Correndo

Tão falsa

Na valsa

Veloz!

Eu triste

Vi tudo!

 

Mas mudo

Não tive

Nas galas

Das salas,

Nem falas,

Nem cantos,

Nem prantos,

Nem voz!

 

Quem dera

Que sintas

As dores

De amores

Que louco

Senti!

 

Quem dera

Que sintas!...

— Não negues

Não mintas...

— Eu vi!

 

Na valsa

Cansaste;

Ficaste

Prostrada,

Turbada!

Pensavas,

Cismavas,

E estavas

Tão pálida

Então;

Qual pálida

Rosa

Mimosa

No vale

Do vento

Cruento

Batida,

Caída

Sem vida.

No chão!

 

Quem dera

Que sintas

As dores

De amores

Que louco

Senti!

Quem dera

Que sintas!...

— Não negues,

Não mintas...

Eu vi!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Intertextualidade da música com a literatura

Quadrilha (Carlos Drummond de Andrade)

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história

A música "Flor da Idade" claramente traz um diálogo com Drummond em um trecho.

Flor da idade (trecho) (Chico Buarque)

Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava
a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha